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    Postado em 02 de Junho às 08h39

    União e compreensão para tornar a crise menos traumática

    • ACIC CHAPECÓ -

    Gelson Dalla Costa, Presidente do Conselho Deliberativo da ACIC

     

    A compreensão da complexidade do momento que vive o Brasil e a união dos empreendedores, trabalhadores e gestores públicos serão fundamentais para superar o período de crise provocado pela pandemia do novo coronavírus. A avaliação é do presidente do Conselho Deliberativo da ACIC, Gelson Dalla Costa. Como presidente do Conselho Delegado de Administração da Associação Hospitalar Lenoir Vargas Ferreira, que administra do Hospital Regional do Oeste, ele faz também uma análise da importância da ajuda da comunidade para o aprimoramento do atendimento no HRO.

    A comunidade de Chapecó (governo e sociedade), na sua avaliação, está enfrentando de forma satisfatória essa pandemia?
    No início, quando o Estado de Santa Catarina decidiu pela quarentena, a comunidade chapecoense aderiu e, aos poucos, foi entendendo o que é essa pandemia. À medida que o tempo foi passando, todos foram se adaptando. Temos uma comunidade que, por entender a gravidade da Covid-19, está procurando se cuidar. Agora, com a chegada das estações frias, é preciso mais cuidado, com propensão a outros problemas respiratórios ou que tenham determinadas fragilidades, pois ficam mais susceptíveis a problemas mais graves. Mas a comunidade chapecoense está respeitando as orientações do poder público, da classe médica e entendo que estamos passando por esse momento difícil com bastante cuidado e tranquilidade.

    A Administração Municipal está conduzindo corretamente as ações de saúde pública? Por quê?
    Sem dúvida. A Prefeitura está conduzindo corretamente todos os passos para termos o mínimo possível de casos de Covid-19. O prefeito, com toda sua equipe da Secretaria de Saúde, está conduzindo a situação com muita tranquilidade e paciência. É um momento que a comunidade precisa entender a importância da preservação da saúde das pessoas e, também, tentar manter a economia girando. Para isso, depois do primeiro estágio de quarentena, foi autorizada a reabertura das atividades. O pior momento está passando.

    E como o senhor avalia a conduta da população chapecoense em adesão às regras de proteção para evitar a disseminação do vírus?
    No início da pandemia era difícil saber sua extensão e gravidade. Mas com o tempo fomos entendendo. Observamos raramente aglomerações. As pessoas estão ficando em casa e tomando as precauções necessárias. Temos um número de casos relativamente elevado, mas, por outro lado, estamos com um controle bom e esperamos em breve a queda da curva de contágios.

    Nesse cenário, muitos empresários estão se engajando em ações solidárias, grande parte delas de iniciativa da ACIC. Podemos afirmar que os empresários estão fazendo a sua parte?
    O empresário chapecoense sempre foi solidário e a ACIC liderou um excelente projeto quando criou a campanha Salve Vidas, junto às entidades e à comunidade para arrecadar recursos para o Hospital Regional do Oeste. Com isso foi possível adquirir respiradores e equipamentos para novos leitos destinados ao atendimento da pandemia. O espírito empreendedor do empresário chapecoense se iguala ao espírito da solidariedade: sempre que são chamados, os empresários comparecem, ajudam, apoiam e participam. Mais uma vez temos que parabenizar a todos porque cada um, da sua maneira, está procurando fazer com que essa pandemia chegue ao seu fim de forma menos traumática possível e com resultado satisfatório diante daquilo que vemos no Brasil e no mundo.

    Como o senhor avalia que a economia brasileira sairá dessa pandemia do novo coronavírus?
    O problema econômico brasileiro será muito grave. As finanças públicas dos governos federal, estaduais e municipais entrarão em colapso. Teremos muito desemprego, pessoas passando por dificuldades e algumas atividades tendem a desaparecer. Precisaremos de muita união e cautela para que essa crise seja menos traumática possível.

    Quais os setores que ficarão mais prejudicados?
    Alguns setores sofrerão bastante, como o têxtil, calçadista, automotivo, turismo e hotelaria. Por isso é importante programas do governo que estimulem essas atividades, pois elas precisam receber incentivos e linhas de crédito de longo prazo para que consigam, aos poucos, retornar.

    Quais os setores que, quando a pandemia for superada, reagirão com maior rapidez para superar a crise?
    A produção de alimentos é o setor que menos vai sofrer com a pandemia. O agronegócio vem socorrendo a economia brasileira por muitos anos e crescerá. Como a pandemia afetou o mundo todo e alguns países que estão com problemas na produção de carnes, o agro crescerá. Esse segmento amenizará a queda do Produto Interno Bruto brasileiro.

    O senhor comanda o maior hospital filantrópico de Santa Catarina, onde o atendimento aos pacientes da Covid-19 vem sendo muito elogiado. A que se deve isso?
    Em primeiro lugar o hospital tem boa direção, um grupo de médicos e funcionários muito bons, unidos e preparados. Além disso, representamos a ACIC, que me indicou, há 15 anos, para fazer parte do grupo que administra o HRO. Também temos apoio da comunidade. Ressalto o setor empresarial, as indústrias, o comércio, a prestação de serviço e toda a comunidade chapecoense que sempre nos apoiam. Isso nos inspira para seguir atendendo cada vez melhor a população. Agora temos mais um desafio: superar essa crise provocada pela pandemia que está deixando todos preocupados, mas após isso o grande desafio será ativar a ala nova que amplia em 60% nossa capacidade de atendimento. E ressalto: o apoio da comunidade chapecoense e regional faz uma grande diferença, a união que temos faz com que esse hospital seja o orgulho de Chapecó e do grande Oeste de Santa Catarina.

    A campanha da ACIC pela compra de respiradores artificiais ajudou nesse desempenho?
    Ajudou muito. Esses recursos estão sendo muito importantes, pois com dinheiro em caixa se compra melhor. Estamos adquirindo equipamentos e materiais para enfrentar essa pandemia com menos preocupação. Temos que agradecer imensamente a liderança da ACIC na pessoa do presidente Nelson Eiji Akimoto, sua diretoria e todos os empresários chapecoenses e pessoas que contribuíram para essa importante campanha.

    O que mudará no Brasil após essa pandemia, especialmente na área econômica e nas relações de trabalho?
    Terá que ser um período de muita criatividade. Cada empresário precisa entender bem seu negócio, medir sua capacidade, repensar atitudes, agir com muita prudência e cuidado porque passaremos por momentos muito difíceis. Será um período em que a união do empresário com o trabalhador fará com que se possa superar essa crise com mais tranquilidade. A relação do trabalho e emprego evoluirá para um entendimento ainda maior, fará com que empregador e empregado atuem de forma mais unida porque, só assim, poderemos superar as dificuldades que vêm pela frente.

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