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    Postado em 12 de Agosto de 2020 às 14h58

    Transformação digital e os impactos da covid-19

    Falar do tema transformação digital no fim de 2019 era algo que trazia algumas dúvidas e desejos, principalmente para as empresas. Mas com a inesperada chegada da covid-19, o assunto se tornou algo obrigatório, principalmente no cenário brasileiro, que normalmente adota a estratégia de aguardar as soluções darem certo "lá fora" para investir "aqui dentro".

    Se falarmos do tema no atual período, o que mais se destaca é nosso consumo. Com certeza, a forma que consumíamos mudou. Quem nem imaginava comprar algo pela internet ou aplicativo, teve que se adequar. As empresas aprenderam a utilizar as redes para realizar a divulgação em massa de seus produtos. Um destaque à área da saúde, que dava sinais que iria demorar para adquirir confiança no consumo que vinha sendo nominado como medicina sob demanda, um recurso que você consome quando necessita de forma remota, sem sair de casa e que se tornou atraente, atendendo outra grande alteração neste período, o home office.

    Mas onde a transformação digital se destaca? O que mais chama atenção, além do grande volume de dados que geramos nas redes, são as miniaturizações e diminuição de custos para criação de dispositivos, estes que vão gerar ainda mais informações e, com isso, são chamados de "'inteligentes". Peguemos o exemplo de um parque de máquinas de uma indústria: se os empresários pensarem em uma solução inteligente nova, ela pode ser muito cara. Nesse momento entra a miniaturização e as chamadas empresas integradoras. Com eles pode-se criar uma solução em que uma máquina mais antiga possa gerar informações para ajudar no seu desempenho e na tomada de decisão, ou seja, a transformação digital está diretamente ligada à possibilidade de obter informações que possam ser utilizadas na tomada de decisão.

    Mas quando falamos de informação, podemos incluir imagens? Sim, a chamada Visão Computacional vem crescendo e se destacando. Basicamente, as imagens podem nos fornecer mais informações do que imaginávamos. Temos exemplos na pandemia de empresas monitorando temperatura através de câmeras em tempo real. Outro exemplo é na saúde, possibilidade de auxílios a diagnósticos, inclusive de pacientes graves de covid-19.

    Mas se vamos ter mais informações trafegando, como será a comunicação? Esse é o motivo pelo qual a 5G é ansiosamente aguardada. Pesquisadores acreditam que ela dará força para soluções com a Fog Computing, já conhecemos a nuvem (Cloud) e agora vamos ter o "nevoeiro" em que qualquer dispositivo pode se tornar um ponto de dissipação de rede e informação, nesta camada será possível gerar muitas soluções porque os dados podem receber engenharia e serem tratados conforme a necessidade antes de ir para a nuvem. Acredita-se que essa estrutura é o que realmente permitirá que as indústrias e as cidades se tornem inteligentes porque vão disseminar e controlar com qualidade as informações geradas.

    Nesta linha de manufatura aditiva, miniaturização e nas soluções que possam gerar informações é que vem as startups - elas solucionam pequenos problemas - mas que são de muito valor. Em nossa região temos vários exemplos: melhoria nas formas de consumo, verificação de temperatura, tratamento de efluentes, controle de clínicas e propriedades de agronegócio até verificação da qualidade do leite em segundos. Nossa região é destaque em criação de soluções e startups.
    E como estamos preparados para essa transformação? Temos um modelo que sabemos trabalhar muito bem, o associativismo, como por exemplo o Núcleo de Tecnologia da Informação e Comunicação da ACIC, e a Deatec que reúne não mais somente empresas ligadas ao que chamamos do ramo de TIC, mas abrange as startups e novos modelos de negócio ligados à tecnologia, que é algo muito mais abrangente que somente computação.

    Outro modelo que logo teremos disponível que já vem funcionando sem um local físico são os centros de inovação. Temos o exemplo dos parques apoiados pelo Estado e iniciativas próprias dentro das universidades como disponibilização de laboratórios especializados, incubadoras e empresas juniores criando um ecossistema forte em nossa região consolidado como Desbravalley.

    Temos que destacar também outro legado que vamos ter com a pandemia. A transformação digital com certeza não mais terá o entendimento que vinha desenhando, ela englobará muitas outras variáveis, principalmente aquelas ligadas às pessoas e à educação, setores que terão que se adequar antes do esperado. Estudiosos acreditam que esse período vai gerar informações e oportunidades de soluções para muitos anos, ou seja, vamos ser acelerados nessa revolução que antes era tida como opcional e agora se torna obrigatória.

    Ainda dentro deste contexto, não falamos da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD): mais informação, mais preocupação de como é gerada, como é disseminada e como ela se torna "inteligente", através de outro tema em voga, a famosa inteligência artificial. Mas isso será pauta para uma próxima oportunidade! Bem-vindo à transformação digital!

    "A transformação digital com certeza não mais terá o entendimento que vinha desenhando, ela englobará muitas outras variáveis, principalmente aquelas ligadas às pessoas e à educação, setores que terão que se adequar antes do esperado." Tiago Zonta, coordenador dos cursos de Sistemas de Informação e de Engenharia de Computação da Unoesc Chapecó, doutorando em Computação Aplicada na Unisinos

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