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Postado em 22 de Outubro às 16h58

Paraguai oferece oportunidades atrativas para empresas brasileiras

  • ACIC CHAPECÓ -

MILVO ZANCANARO
Diretor de Relações Internacionais e COMEX

 

 

O Paraguai é o País que mais cresce na América do Sul e isso se deve a fatores como a facilidade de abertura de empresas no País, o regime tributário simplificado, além dos custos fiscais, trabalhistas e de energia serem os mais competitivos da região e comparados também aos países asiáticos.

O País é jovem, com mão de obra abundante, além de ser grande produtor de alimentos e o maior exportador de energia renovável do mundo, entre outros aspectos. Nesta entrevista, o diretor de Relações Internacionais e Comex da ACIC, Milvo Zancanaro, que também é vice-presidente de relações internacionais da Facisc, comenta sobre as oportunidades do País vizinho.

Como o senhor avalia o programa de atração de empreendimentos que o Paraguai está desenvolvendo?
Como uma excelente oportunidade para as indústrias brasileiras substituírem importações de outros países, principalmente da China, e fabricar parte de seus produtos no Paraguai com menores custos. A ideia é complementar a produção no Brasil para poder concorrer com outros países e as empresas se tornarem mais competitivas.

Quais são os principais incentivos e as principais formas de apoio que o Paraguai oferece aos empreendedores e investidores brasileiros?

A melhor é que a indústria pode levar máquinas e equipamentos para se estabelecer no Paraguai sem pagar tributos. Também poderá importar matérias-primas sem recolher tributos e após industrializados recolher somente 1% para exportar os seus produtos acabados.

Muito importante é saber que com somente 40% de matérias-primas intra-bloco Mercosul o produto é considerado “Made in Paraguai” e gozar dos benefícios. No caso do Brasil precisa ter 60%. O Paraguai é o único País que ainda tem o Sistema Geral de Preferência (SGP) com a União Europeia. Essa é uma grande vantagem. A Previdência Social e demais tributos são muito menores do que os praticados no Brasil.

A burocracia no país vizinho é menor e a estabilidade econômica é maior. O Paraguai não tem sindicatos e tem uma grande população jovem com vontade de trabalhar e produzir. O ambiente empresarial no Paraguai é muito bom.
                  
A oferta de energia elétrica abundante e barata é fator determinante na decisão de investir no Paraguai?
Não é. Reconhecemos que é importante, mas não é determinante. O Paraguai tem uma deficiência na transmissão que deve ser bem analisada pelas indústrias, principalmente em termos de investimentos necessários. Por outro lado, pode ser uma oportunidade para empresas que trabalhem com transmissão de energia.  
 
Outra questão que os empreendedores levam muito em consideração é a legislação trabalhista. Em resumo, como são normatizadas as relações de trabalho no Paraguai?
O Estado não tem grande interferência na relação empregado e empregador. O contrato entre as partes é muito liberal. O ambiente de trabalho é muito harmonioso.
 
E a questão tributária? Quais os principais impostos?
O Paraguai gosta de divulgar que é um País 10, 10, 10 para o mercado interno: 10% de Previdência, 10% de Imposto de Circulação = IVA e 10% de  Imposto de Renda. O mais importante é o baixo custo de exportação que é de somente 1%.
 
Os investidores também estão elogiando a simplificação e a inexistência de burocracia nos assuntos que dependem de intervenção estatal?
Este é um ponto forte. Para abrir uma empresa no Paraguai tudo é feito num lugar só através de um único documento.  O governo não interfere e, portanto, a empresa tem mais liberdade.

Fale sobre a segurança jurídica e a ambiência de negócios.
As leis e normas no Paraguai são mais simples e não mudam constantemente, por isso mais seguro para as partes. O ambiente de negócios é muito valorizado e respeitado. Ser empresário e gerar empregos no Paraguai é motivo para receber atenção especial do governo.
 
O senhor prevê uma grande evasão de empresas e capitais financeiros brasileiros em direção ao Paraguai nos próximos anos? Em que medida?
Não vejo que haverá evasão de empresas e capitais. Ocorrerá o contrário e sim a valorização e fortalecimento da empresa brasileira por ela se tornar mais competitiva. O objetivo é substituir as importações da China.
 
Essas empresas que deixam o Brasil pelo Paraguai não farão falta na nossa economia, visto que deixarão de gerar empregos aqui?
As empresas não irão deixar o Brasil. O que nós queremos é que a empresa não se mude e sim que ela complemente sua produção por meio de uma palavra chamada parceria para produzir no Paraguai com menores custos e trazer para o Brasil ou exportar a outros países esses produtos que se tornam competitivos.
 
O Brasil não deveria aprender com o Paraguai e criar uma verdadeira política de apoio ao desenvolvimento industrial?
Claro. Mas para fazer isso o Brasil tem que mudar sua tributação que está muito alta, avançar na reforma trabalhista e diminuir a burocracia. O Brasil precisa diminuir o chamado custo Brasil. O progresso nas reformas até hoje foi tímido e não resolve o problema. O governo brasileiro tem que diminuir suas despesas correntes e melhorar investimentos em infraestrutura. O Brasil tem que entender que a indústria é a solução para gerar desenvolvimento.
 
Em sua opinião, por que o Mercosul – bloco do qual fazem parte Brasil e Paraguai, ao lado de outros países – ainda não conseguiu criar um ambiente de integração e confiança para que todos os estados-membros ofereçam incentivos semelhantes aos empresários, empreendedores e investidores? 
Creio que o fato principal é o problema da falta de foco dos governos no desenvolvimento dos países através do incentivo às atividades produtivas e a mais importante é a indústria. No Paraguai também houve alternância no poder do Estado, mas ninguém abandonou a busca pelo desenvolvimento.

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