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Postado em 15 de Junho às 10h57

“O grande desafio é criar uma cultura de inovação” por Gustavo Damschi

  • ACIC CHAPECÓ -

A inovação é fundamental para crescer e se manter competitivo no mercado atual. O diretor de Tecnologia e Inovação da ACIC, Gustavo Damschi, avalia o cenário atual e discorre sobre o assunto nessa entrevista. Damschi é empresário, professor e enxadrista. Empresário há oito anos na Elo Ideias - Criação de sites e E-commerce, professor de Empreendedorismo na Unochapecó, coordenador de marketing do NTIC, ajudou organizar o Startup Wekeend (2016 e 2017), diretor da Federação de Xadrez de Santa Catarina (FCX) e presidente do Clube de Xadrez de Chapecó. É graduado em Ciência Econômicas, pós-graduado em Economia Empresarial e graduado em Desenvolvimento Regional.

A decisão de inovar envolve riscos e incertezas, além de investimentos financeiros, de tempo e de recursos humanos. Mas é necessário. Por que é importante inovar?
Para atender constantemente necessidades sociais e de mercado, que cada vez é mais dinâmico, nunca se estabiliza e está sempre em evolução. A inovação tem objetivo de superar novos e atuais concorrentes com agregação de valor ao produto e serviço ou com mudança no modelo de negócio ou gestão para ter vantagem competitiva e um novo posicionamento. Se a empresa conseguir fazer isso, será líder do setor atuante.

Inovar é uma estratégia fundamental para manter os negócios saudáveis. Quais os desafios das empresas em relação à inovação?
O grande desafio é criar uma cultura de inovação que consiste em criar um ambiente criativo, aprender a lidar com as incertezas e erros, mudança organizacional voltada à colaboração, destinar recursos, aprender metodologia de criação de inovação, além de fazer a gestão da inovação. Um dos grandes desafios do empresário é inovar a si mesmo.

Qual o risco de não inovar?
Ficar defasado e fora do mercado, estagnar e ser apenas uma briga de preço e margens baixas, o que é comum em produtos commodities. A inovação pode ser feita em produtos, processos e modelos de negócios, ou seja, basta observar e analisar o mercado que está inserido, estimular e incentivar a equipe e criar diferenciais, que muitas vezes são canais de atendimento ao cliente, formas de entrega diferenciada do produto e de fidelização do cliente, fazer mais com menos, mudar processos que reduzam o custo e otimizem as margens, etc.

Inovação está ligada à criatividade. Você diria que todas as pessoas são criativas. Por quê?
Sim. Um ambiente criativo é necessário para surgir a inovação e todo mundo é criativo, o que precisa é estimular e incentivar para despertar a criatividade, pois quando criança todos éramos criativos e fomos perdendo ao longo do tempo, devido a regras e “nãos” que tomamos na vida. Um modelo interessante de busca para criar um ambiente criativo é o Modelo de Göran Ekvall, que consiste em nove perguntas relacionadas a preparar sua empresa para ambiente criativo: desafio, liberdade, tempo para pensar, apoio a ideias, confiança e abertura, descontração, conflitos, debates e disposição para assumir riscos.

Qual a sua avaliação sobre o desenvolvimento da inovação alcançado pelas empresas chapecoenses e quais são as perspectivas para os próximos anos?
As empresas chapecoenses são criadas por pessoas muito empreendedoras, embasadas no cooperativismo e associativismo, isso é um diferencial da região oeste no que diz respeito em inovar e criar. Chapecó foi reconhecida como a 2ª cidade com maior número de startups por habitantes, isso significa dizer que estamos iniciando bem os processos de inovação e criando empresas inovadoras, porém, para ter consistência, é necessário desenvolver um ecossistema de inovação que consiste na união das empresas, entidades empresariais, universidades e o governo. Nesse ponto estamos iniciando, pois precisamos de talentos, pesquisas e desenvolvimento, responsabilidade das universidades, de incentivos do governo voltados à inovação e infraestrutura, precisamos a aproximação de inovações. Existem muitas ações sendo feitas, muitas inovações sendo criadas, porém, de forma isolada, pequena e pouco colaborativa.
A união e colaboração entre todos fortificará a base para ter uma região inovadora, essa é a quebra de paradigma mais desafiadora para se constituir um ecossistema de inovação, pois precisamos deixar os jogos de interesses e egos de lado e unir forças. A ACIC tem importante papel nesse sentido e, para isso, mantém a Diretoria de Tecnologia e Inovação e o Núcleo de Tecnologia da Informação e Comunicação (NTIC). A Deatec também promove ações ao fomento à inovação. Além disso, o movimento chamado Desbravalley, que são todas as empresas, pessoas e instituições que se identificam e colaboram com empreendedorismo e inovação na região oeste de Santa Catarina, está sendo uma forma de unir pensamentos e atitudes colaborativas e criando uma marca para região. As perspectivas para os próximos 10 anos são que as empresas que buscarem novas metodologias, trabalharem de forma colaborativa com outras empresas e universidades, mudarem seu ambiente incentivando a inovação, se manterão no mercado. O restante que resistir terá dificuldades em manter-se no mercado ou desaparecerá. A Diretoria de Tecnologia e Inovação tem por objetivo apoiar o desenvolvimento do ecossistema de inovação regional e as empresas com ações práticas e de fomento.

O que você entende por inovação? Em que setores é possível inovar?
Em todos os setores é possível inovar e não importa o tamanho da empresa. Não existe uma fórmula mágica, mas o que existe é a necessidade de cada dia desenvolver inovação, seja de produto, de processo ou de modelo de negócio. Tem uma frase dos anos 90, drástica, mas que resume tudo, de Tom Peter: “Inove ou morra!”. O que sabemos é que modelos tradicionais de produção, vendas, entrega, atendimento estão cada vez mais condenados ou sobre fortes mudanças. Não importa o setor, ramo de negócio, neste momento tem alguém criando uma inovação para substituir ou melhorar o que já existe.

Qual conselho você dá para as empresas que querem iniciar ou ampliar os processos de inovação?
Alguns conselhos servem para refletir sobre a empresa atual e para iniciar ou ampliar os processos de inovação. Se você criar algo novo ou uma melhoria que não seja viável economicamente, ela é apenas uma invenção e não uma inovação. O foco inicial é o problema em que a ideia inovadora se propõe a resolver, faça a pergunta: a ideia de inovação aborda um problema relevante, frequente e mal resolvido? A ideia apresenta uma forma diferente de resolver o problema? Após definido e validado que existe um problema relevante, frequente e mal resolvido, o foco é o modelo de negócio. Aconselho conhecer a ferramenta Business Model Canvas, que consiste em fazer uma série de reflexões relacionadas à qual diferencial está criando, para quem, como irá entregar, manter o cliente, ganhar dinheiro e o que vai precisar para iniciar a inovação, recursos-chave, atividades, parceiras-chave e custos-chave. Por fim, coloque em prática o mais rápido possível e erre rápido, quando acertar, acelere! Outros conselhos é buscar incubadoras de universidades, elas aplicam esta metodologia. Para acelerar, tem aceleradoras, investidores anjos, projetos e programas de incentivo. Em resumo, o grande conselho é busque novas metodologias, incentive as pessoas e trabalhe de forma colaborativa.
Termino com uma frase de Peter Drucker: “Todas as inovações eficazes são surpreendentemente simples. Na verdade, maior elogio que uma inovação pode receber é haver quem diga: isto é óbvio! Por que não pensei nisso antes?”

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