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Postado em 04 de Janeiro de 2016 às 15h11

O clube e a empresa na vida de Sandro Pallaoro

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A empresa que possui (Pallaoro Distribuidora de Frutas) e o clube que preside (Associação Chapecoense de Futebol) se misturam na trajetória do empresário Sandro Luiz Pallaoro eleito, em novembro passado, Empresário do Ano 2015.

Com 42 anos de fundação, o Clube vive o melhor momento: tem quatro títulos do Campeonato Catarinense e um da Copa Santa Catarina. Mas foi o acesso à série D do Campeonato Brasileiro, conquistado em 2009, e a evolução a partir daí,que colocaram a equipe entre as melhores do país.

Disputar a Copa Libertadores da América está entre os anseios do presidente. Aliás, os sonhos de Pallaoro sempre o fizeram traçar os caminhos a ser percorrido e a paixão pelo futebol o aproximou do clube. Ele aceitou o convite para ser presidente quando muitos não tiveram coragem.

Como o senhor iniciou sua vida empresarial? Quais eram os principais desafios na época?
Meu pai e meu tio tinham empresas e comecei a trabalhar com eles aos 14 anos, como office boy. Depois trabalhei na Cantu Alimentos, no Paraná, e fui convidado por um primo a assumir a administração da unidade em Chapecó. Recebi uma participação na empresa e minha esposa e eu viemos em 1994. Em 2009, a sociedade foi desfeita e montei a Pallaoro Distribuidora de Frutas Ltda. Seis meses antes, em 2008, já tinha assumido a presidência da Associação Chapecoense de Futebol.

O que determinou o seu sucesso empresarial?
Acredito que foi a minha dedicação a tudo que fiz e os exemplos que segui. Inspirei-me nos empresários vencedores do Troféu Nelson Galina e em outros de sucesso da região. Sempre procurei ser um orgulho para meus pais e muito persistente na busca da realização dos meus sonhos.

Na Chapecoense encontrei pessoas que acreditaram no meu sonho de tornar o time uma grande equipe do futebol brasileiro. E a cidade ganha muito com o bom momento que vivemos. No Brasil inteiro somos reconhecidos. A Chapecoense consegue unir pessoas de diferentes classes sociais, ideologias políticas e religiões. É isso que gostaria que acontecesse com o nosso município. Que pudéssemos buscar o melhor para nossa cidade através da união do povo. Deixo de ganhar muito dinheiro na minha empresa para me dedicar ao time, mas não tem coisa melhor do que ouvir de todos a alegria que sentem com o momento da equipe.

Quais foram as estratégias administrativas que o senhor usou na Chapecoense?
Quando assumi o clube, nós pagávamos as viagens com o dinheiro do nosso bolso. Os jogadores não podiam estragar as camisas porque só tínhamos um jogo. Em 2009, a Chapecoense movimentava R$1,5 milhão por ano. Hoje, temos uma receita anual de R$40 milhões. As conquistas foram gradativas assim como os investimentos, sempre dentro da nossa real possibilidade. Mas o grande segredo foi que a comunidade em geral acreditou na ideia e se empenhou junto com a equipe para obter os resultados. Procuramos deixar as contas em dia, conseguimos trazer os torcedores e a imprensa entendeu a importância da equipe para o município e região. A estratégia principal foi gastar apenas o que arrecadávamos. Assim, conseguimos manter os salários dos jogadores em dia e conseguimos credibilidade. Os patrocinadores sempre acompanharam o movimento com transparência. E temos a responsabilidade de recompensar o torcedor pelo dinheiro que investe na equipe e, que muitas vezes, é tirado do orçamento apertado da família.

Para onde vai a Chapecoense?
Ah, meu sonho é levar a Chapecoense ao título da Copa Libertadores da América. Acredito que seja possível. Não sei quanto tempo isso pode levar, mas é possível. Conseguimos excelentes resultados com um orçamento pequeno se comparado a outros clubes do mesmo nível. Então, precisamos melhorar nossos patrocínios e conquistar melhores verbas por transmissão de jogos pela televisão. O grande erro dos times é gastar muito dinheiro para encurtar o caminho e aí é que acontecem os problemas. O mundo do futebol é mais corrupto do que a política brasileira. Então, é preciso ter muita cautela nas ações. Também precisamos envolver mais as entidades e governantes para que priorizem mais investimentos no esporte. Falta essa união. Isso pode resultar até na redução dos números de criminalidade do nosso município. Mas tudo com muito planejamento. Sempre investimos na categoria de base e só agora tivemos resultados com o título do Campeonato Sub-17. Temos 140 jovens que fazem todas as refeições no clube. É um processo lento. Acredito que daqui uns cinco anos podemos ter um ótimo retorno com a venda de jogadores, por exemplo. Aí teremos mais recurso para investimentos. Sempre falo no vestiário que não somos melhores do que ninguém e não podemos nos intimidar diante de equipes grandes. Precisamos mostrar isso em campo. Palestrei em clubes do Nordeste e observamos resultados. O Rema, o Paysandu, o Ipiranga, por exemplo, subiram de série.
Viajávamos de Kombi. Quero que o time viaje com o próprio avião. Não sei se conseguirei ver essas conquistas, mas enquanto puder vou contribuir. Mas não adianta só eu querer. O envolvimento de todos é indispensável. E esse é um diferencial da cidade. Que bom que temos a Chapecoense num excelente momento para alegrar a vida dos torcedores que tantas dificuldades precisam enfrentar, principalmente neste momento econômico e político nacional.

O que representa ter sido escolhido o Empresário do Ano 2015?
É uma sensação diferente de todas as conquistas que já tive, inclusive com a Chapecoense. Acompanhei 18 edições do prêmio e sempre sonhei estar no palco recebendo o troféu Nelson Galina, porque os vencedores são exemplos nos quais me inspiro. Por isso, entendo que ser o agraciado deste ano me impõe esta responsabilidade de conduta e bom trabalho porque serei parâmetro para outras pessoas também. Acredito que tudo na vida tem seu momento certo para acontecer e tenho paciência e sabedoria para aguardar e conduzir a situação até o planejado. Isso me levou até minhas conquistas pessoais e com a Chapecoense. Quando cheguei na cidade, eu queria muito comprar uma cobertura, mas só tinha condições de adquirir um apartamento. Nunca desisti. Demorei 17 anos, mas consegui o imóvel que eu sonhava. E assim fiz com a Chapecoense. Nós subimos um degrau de cada vez. No entanto, não fiz nada sozinho. O clube tem uma equipe de 120 pessoas e esse prêmio é resultado do bom trabalho de cada um. É uma premiação diferente porque dessa vez o esporte chamou a atenção.

Que conselho o senhor daria para um empresário que está iniciando seu negócio?
Tem que acreditar nos sonhos que tem e fazer o que gosta. Se for necessário, mude de atividade. Não tenha vergonha. É preciso trabalhar muito, é claro, mas mantenha a ética e a transparência que isso vai fazer a diferença.

Como os empresários devem se preparar para enfrentar as incertezas econômicas brasileiras para 2016?
É preciso se sobressair num momento de crise. Nossos governantes têm que motivar a população e não se esconder. Sempre motivei a equipe para buscar resultados. Não vamos mudar da noite para o dia. Precisamos mudar a visão dos políticos de agir. Nós provamos que dá para fazer um futebol diferente num meio de muita corrupção. É preciso aceitar e encarar o desafio.

Em sua opinião, quais os principais desafios para o desenvolvimento econômico de Chapecó?
Chapecó tem um porte bom e acredito que vai crescer naturalmente, principalmente pela produção expressiva de alimentos que é uma necessidade básica mundial. Acredito que precisamos organizar melhor a cidade para proporcionar melhor qualidade de vida. Precisamos evoluir em questões sustentáveis como geração de energia e aproveitamento de água da chuva. Precisamos de parques em diversos bairros e ciclovias. É preciso repensar a estrutura da cidade visando a qualidade de vida. Por isso, acredito que a Administração Municipal precisa ouvir mais os representantes de diferentes setores. Todos podem contribuir.

Qual reforma o senhor considera urgente: tributária, trabalhista, política, eleitoral...? Por quê?
Se não mudarmos nossa política e tributação, o Brasil vai quebrar. O brasileiro trabalha para gerar impostos para manter as regalias políticas. Defendo a ideia de apenas dois partidos. Estamos chegando ao fundo do poço. Tivemos um senador preso. A maioria dos políticos nunca administrou nada. Como querem criar leis e ficar à frente de todo o processo? Estão quebrando o país. Não é a aposentadoria do assalariado que cria o rombo na previdência, são as aposentadorias milionárias que mantemos. Mas é um processo complicado e que deve demorar para acontecer.

SANDRO LUIZ PALLAORO: EMPRESÁRIO DO ANO 2015
49 anos de idade.
Natural de Pato Branco, Paraná.
Casado com Vanusa Pallaoro, pai de Dhayane e Matheus.
Proprietário da empresa Pallaoro Distribuidora de Frutas.
Presidente da Associação Chapecoense de Futebol.

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