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Postado em 16 de Junho de 2015 às 08h44

Josias Mascarello conta trajetória de cinco gerações no ramo da construção civil

Programa Vida Empresarial é desenvolvido pela ACIC em parceria com a Unochapecó


O vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC) e Empresário do Ano 2014, Josias Mascarello, contou sua trajetória bem-sucedida no ramo da construção civil durante o Programa Vida Empresarial, desenvolvido em parceria entre a ACIC e Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), nessa semana, no salão de atos da instituição de ensino. A iniciativa foi criada em 1991 para registrar e destacar o espírito empreendedor de pessoas que ajudam no desenvolvimento econômico de Chapecó e região.
Na abertura, o presidente da ACIC, Bento Zanoni, enalteceu a parceria com a universidade, lembrando que há alguns anos também apresentou sua vida empresarial no evento. “É sempre uma honra contar nossa história, relatar as dificuldades, os desafios e as conquistas e, com isso, servir de exemplo para quem está no início ou ainda iniciará a carreira profissional ou empresarial”.
O vice-reitor de planejamento e desenvolvimento da Unochapecó, professor Claudio Jacoski e a coordenadora do curso de Administração da Unochapecó, professora Andrea Benke Zambarda, destacaram que a iniciativa representa uma oportunidade de aprender com a trajetória de vida de empresários bem-sucedidos.
Josias Mascarello iniciou sua apresentação destacando a história da família com a construção civil, o desejo desde criança de atuar na área, o período na faculdade de Engenharia Civil, as dificuldades, dúvidas, desafios e conquistas. Demonstrou ainda algumas diferenças entre as obras ao longo dos anos, o cenário atual e a modernização do trabalho, além da importância de acreditar nos sonhos para superar os obstáculos e alcançar o sucesso. “Empreender com responsabilidade: este é o lema! Este é o caminho e a promessa para o futuro”, destacou.
Cinco gerações na construção civil
A história da família Mascarello com a construção civil já ultrapassa os 130 anos. Ela começou em 1883 com o bisavô de Josias, passou para o avô, o pai, o próprio Josias e agora para o filho dele, o Conrado. As duas primeiras gerações se especializaram na construção de igrejas, catedrais, hospitais e escolas, principais demandas daquela época. A terceira geração, do pai do palestrante, voltou-se para obras convencionais e foi responsável pela construção de diversas empresas em Chapecó a partir do ano de 1952. Foi justamente observando o trabalho do pai, que Josias Mascarello se interessou pela construção. “Eu sempre dizia que queria ser pedreiro, meu sonho era assentar tijolos”, conta.
A história com a construção
Segundo o engenheiro, o primeiro contato dele com os negócios foi aos 10 anos. “Nós tínhamos geladeira e percebi que meu vizinho não tinha e refrescava a garrafa de vinho na água corrente da torneira. No dia seguinte, levei um balde de gelo para ele e recebi dinheiro em troca. Gostei muito de fazer negócios e continuei levando gelo até o inverno começar e acabar com meu empreendimento”, relata com bom humor. A partir daí, a vontade de trabalhar não teve mais fim.
Aos 14 anos, Josias começou a trabalhar com o pai nas obras, mas apenas como auxiliar. “Eu era servente de pedreiro, passava o dia molhando tijolo”. Em busca de realizar o sonho na construção civil, aos 16 anos resolveu ‘trabalhar por conta’. Em 1969 já era responsável por pequenas obras, como muros e escadas. Nos intervalos, trabalhava como garçom. “Eu era muito tímido e comecei a mudar através do contato com as pessoas, aprendi a me comunicar, o que me favoreceu muito depois nos negócios”, explica.
Engenharia Civil
Com a meta de se formar em Engenharia Civil, Mascarello foi estudar em Caxias do Sul, reprovou na primeira vez que prestou vestibular e decidiu trabalhar e estudar em Porto alegre. “Cheguei a morar em um barraco de obra, que tinha uma cama, uma pia e as pilhas de cimento; fui vendedor de livros e trabalhei em churrascaria. Em 1973 fiz cursinho e passei no vestibular da PUC”, lembra com orgulho de um tempo de dificuldade e superação.
Depois de realizar seu maior sonho – ingressar no curso de Engenharia – ele conquistou o próximo passo: residir na casa do estudante. Estabelecido em Porto Alegre, conheceu na Universidade uma celebridade da década de 70: ‘Magro Miguel, o Rei da Noite de POA’. Logo fez amizade com o músico e passou a trabalhar em casas noturnas. Atuou de garçom à gerente, chegou a ser sócio de um estabelecimento, e garantiu assim o pagamento das mensalidades da PUC. Prestes a se formar, recebeu do amigo uma proposta quase irrecusável: ser sócio em uma casa noturna em Miami, na Flórida. “Foi uma decisão muito difícil, mas resolvi me formar e voltar para Chapecó para abrir meu escritório”, afirma.
Empreendendo em Chapecó
Formado em dezembro de 1979, o jovem engenheiro abriu o tão sonhado escritório em janeiro de 1980. “Quando cheguei aqui fiquei preocupado porque não tinha gente e muito menos obra. Então, resolvi abrir o escritório voltado para a área de projetos, mas os negócios eram poucos e cheguei a lamentar não ter aceitado a proposta de ir para Miami”, diz. Em 1982, Josias ficou sócio em um hotel da cidade, negócio que manteve durante 20 anos. Em junho de 1986, enfim, criou efetivamente a Construtora Catarinense. “As empresas tem que começar pequenas. Eu fazia RH, administrativo, financeiro, relações públicas, era pedreiro e, nas horas de folga, engenheiro”.
A década de 80 – e início de 90 – mostrou ser um momento de oportunidades e também de grandes dificuldades. Segundo o empresário, foi o período áureo dos condomínios e ao mesmo tempo da tragédia do plano econômico. “Os condomínios funcionavam da seguinte forma: um conjunto de empresários se reunia para contratar a construção de prédios. Foi assim que trabalhamos naquele período. Porém, o plano econômico quebrou várias empresas. Primeiro veio o Cruzado, depois o Bresser, o Plano Verão e, por fim, o Collor I e Collor II que foram decisivos para acabar com aquelas que ainda tentavam sobreviver”, relata, apontando a realidade do período econômico entre 1986 e 1991.
Apesar das dificuldades, os momentos de crise fortaleceram aqueles que conseguiram se manter. As empresas chamadas ‘sobreviventes’ se tornaram sólidas e reconhecidas. Foi o caso da Construtora Catarinense, que cresceu em meio às adversidades. Porém, mais um obstáculo aparecia: era o fim dos investimentos em condomínios e a empresa precisaria se reinventar. Atento ao mercado, em 1995, Josias Mascarello criou a Incorporações Chapecó e passou a atuar com foco na incorporação de prédios residenciais e comerciais. “Foi uma nova ideia em meio às crises, o que significa que tudo precisa de esforço. Tem como vencer todas as dificuldades”, aconselha.
A construção hoje
Foram 25 anos com a empresa no mesmo local – onde havia sido a casa do pai de Josias – até o engenheiro conseguir comprar o terreno dos sonhos e construir a nova sede da empresa como sempre imaginou. Desistir é uma palavra que não faz parte da vida deste palestrante. Atualmente, amparado pelo filho – também formado em Engenharia Civil – ele modernizou não somente a aparência da empresa, mas também a atuação, totalmente voltada às incorporações. Entre as mudanças, Mascarello relata a diferença na área construída e lembra que em 2008 o auge da empresa foi uma obra de nove pavimentos. Agora, os prédios triplicaram e eles estão edificando um residencial de 27 pavimentos que, em breve, deve ser ultrapassado por uma construção ainda maior.
Depois de tantas histórias, o palestrante que passou a vida empreendendo deixou claro que o caminho do sucesso é apenas um: a dedicação e o amor ao trabalho. “Na vida, acima de tudo, temos que ter determinação e coragem”, finaliza. 

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