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Postado em 10 de Junho às 08h00

Governador Carlos Moises fala sobre investimentos para o Oeste

Representatividade e Ações (19)

CARLOS MOISÉS DA SILVA
Governador do Estado de Santa Catarina


A ACIC atua em diversas frentes para colaborar com o desenvolvimento de Chapecó e região. Dessa maneira, contribui para fortalecer a competitividade das empresas associadas e estimular a economia regional. Uma das atuações é junto aos governos no apoio, sugestões e cobranças para melhorias. Nesta entrevita, o governador Carlos Moisés da Silva explana sobre ações para o Oeste.


O Oeste de Santa Catarina é uma região historicamente abandonada e com imensas deficiências infraestruturais. Quais os planos de seu Governo para a região?

Temos um compromisso com o desenvolvimento do Estado como um todo, mas claro que cada região tem suas particularidades e necessidades. A região Oeste, por exemplo, tem no agronegócio uma de suas maiores forças e, também, a origem de boa parte das demandas. Na questão da infraestrutura viária, já temos alguns avanços importantes, como a criação dos consórcios para manutenção. Há também o processo de concessão do aeroporto de Chapecó, no qual temos atuado em parceria com a Prefeitura, agilizando os trâmites junto à Anac. Ainda em Chapecó, garantimos recursos para o Hospital Regional do Oeste. Em toda a região, por meio da Celesc, estamos investindo quase R$ 200 milhões. Claro que gostaríamos de fazer mais, mas é preciso ter responsabilidade e agir dentro da possibilidade atual de investimento do Estado.

 

Quase todas as rodovias estaduais do Oeste estão em péssimo estado de conservação. A Secretaria de Infraestrutura informou que dispõe de apenas R$ 2,5 milhões por mês para atender todo o sistema rodoviário catarinense, o que obviamente é insuficiente. O Senhor tem alguma solução para esse problema em médio e curto prazos?

Dizem que são os mares bravios que formam os bons marinheiros. No caso da gestão do Estado, posso afirmar que a falta de recursos para os investimentos tradicionais tem nos dado uma grande oportunidade de inovar e propor novos modelos e soluções. É o que estamos fazendo, por exemplo, para garantir a manutenção de rodovias estaduais em todas as regiões, incluindo o Oeste catarinense. Em parceria com a Fecam, estamos dando início ao Projeto Recuperar, ação conjunta entre o Estado e os municípios por meio de consórcios públicos para a conservação e recuperação de rodovias. Para 2019, já asseguramos R$ 74 milhões que serão investidos na manutenção de rodovias tão logo os projetos e convênios sejam realizados.


A BR-282 é a principal via de entrada e saída do grande oeste catarinense. Sua duplicação é uma antiga reivindicação. Recentemente as obras de implantação da terceira pista foram paralisadas por falta de recursos e agora retomadas, mas com recursos insuficientes. O Governo do Estado e a bancada parlamentar de Santa Catarina no Congresso não deveriam promover uma articulação conjunta para obter a garantia do Governo Federal em sua duplicação?

Certamente, todos os esforços devem ser empreendidos nas pautas de interesse de Santa Catarina. Nas reuniões com os parlamentares catarinenses, a infraestrutura sempre surge como prioridade. Sobre a BR-282, sei da importância da rodovia não apenas para a região Oeste, mas todo o setor produtivo. Tanto que conversei pessoalmente com o presidente Jair Bolsonaro, pedindo a liberação de recursos emergenciais para a continuidade das obras, quando ele esteve no Estado no início de maio.

 

O fornecimento de energia elétrica para a produção agropecuária na zona rural e para a expansão industrial na zona urbana também tem sido um obstáculo ao desenvolvimento. Seu governo está disposto a promover um grande programa de investimento em novas redes de transmissão no Oeste?

Nos últimos anos, as novas tecnologias avançaram também para o campo e a produção rural. Mas os novos equipamentos exigem uma demanda maior de eletricidade. A ampliação da capacidade energética, incluindo a mudança de redes de monofásica para trifásica, está no projeto de investimentos apresentado recentemente pela Celesc. Para a região Oeste, estão previstos R$ 170 milhões a serem investidos em 2019. Entre as obras asseguradas, está a construção de uma nova subestação em Chapecó, ampliando significativamente a capacidade instalada do sistema elétrico na região, e a transformação de 199 quilômetros de redes monofásicas em trifásicas, contemplando também áreas rurais da região. O pacote de investimentos ainda inclui ações de eficientização energética de iluminação pública das cidades de Itá e de Modelo e instalação de painéis fotovoltaicos na Unoesc.

 

O suprimento de água também é uma preocupação para muitas cidades. O que está procrastinando a execução do projeto integrado de captação no rio Chapecó, adução, tratamento e distribuição de água para Xanxerê, Xaxim, Cordilheira Alta e Chapecó?

No que depende da Casan e do Governo do Estado há a disposição de concluir o projeto o mais rápido possível. No entanto, há questões jurídicas e administrativas que vêm se arrastando desde 2012, principalmente envolvendo ações judiciais por parte de empresas que perderam o processo licitatório. A atuação tanto do Governo quanto da Casan tem sido no sentido de resolver esses entraves. Estamos otimistas de que logo será possível iniciar a maior obra de sistema de abastecimento de água de Santa Catarina.

Chapecó vem desenvolvendo uma nova matriz econômica com o surgimento das empresas de base tecnológica e a criação de um ecossistema ? integrando universidades e setor privado ? para abrigar e estimular esse nicho. Qual é a política do seu Governo para esse setor?

Cada vez mais a inovação vem se transformando na marca mais forte de santa Catarina. As políticas e ações do Governo para o setor tecnológico partem de um objetivo maior, que é provocar uma guinada no Estado rumo à economia do conhecimento e da tecnologia. Uma economia de futuro, muito mais sustentável, com mais valor agregado ao que é produzido. Nesse sentido, estamos formatando e buscando recursos para executar projetos estruturantes que incluem a formação de jovens em tecnologia e profissões do futuro e em empreendedorismo, a capacitação de empreendedores e o fomento a negócios inovadores e de base tecnológica. Outras ações contemplam o apoio à Rede de Centros de Inovação e outros ambientes de inovação, que estão sendo implantados no Estado, além dos ecossistemas de empreendedorismo e inovação regionais. Também estamos trabalhando em uma nova lei de ciência, tecnologia, inovação estadual e fomos o primeiro Estado brasileiro a propor uma lei para regulamentar a cobrança de ICMS dos bens digitais, o que terá um grande impacto positivo para o setor.

 

É possível a criação de um Colégio Militar para receber alunos da rede pública, antiga reivindicação de Chapecó?

Em relação à educação, a nossa prioridade é melhorar cada vez mais a qualidade de ensino para as crianças e adolescentes atendidas pela rede estadual como um todo, incluindo aí a educação básica, os cursos técnicos e profissionalizantes, a educação especial e a de jovens e adultos. Especificamente sobre o ensino militar, atualmente, existem unidades do Colégio Militar na Capital, em Lages, Joinville e Blumenau, e há pedidos para a instalação de novas em diversos municípios, incluindo Chapecó. No entanto, neste momento, ainda não há uma definição quanto à construção de novas unidades.

 

Uma grande necessidade de Chapecó é a instalação de uma Estação Aduaneira Interior para fortalecer e agilizar os trâmites dos produtos exportáveis, permitindo que os contêineres sejam despachados diretamente daqui para os portos de embarque com toda a documentação desembaraçada. Seu governo pode contribuir para esse objetivo?

Estamos comprometidos em apoiar tudo aquilo que possa contribuir para o desenvolvimento de Santa Catarina. A questão da Estação Aduaneira em Chapecó pode ser analisada pela nossa equipe, que pode contribuir no sentido de abrir novas frentes de negociação junto ao governo federal, a quem cabe a decisão final.

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