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Postado em 21 de Junho de 2016 às 15h03

Entrevista: NELSON EIJI AKIMOTO

A ACIC deve estimular a prática da responsabilidade social empresarial, porém,
“A empresa não pode substituir o Estado”

Nas últimas décadas as empresas passaram a se preocupar não apenas com a produtividade, mas também com a questão socioambiental. Termos como sustentabilidade e responsabilidade social no setor empresarial são muito comentados atualmente e observados por um público consumidor cada vez mais crítico. Além disso, os empresários estão cada vez mais ativos na participação de associações, projetos e atividades da comunidade. Nesta entrevista, o Diretor de Relações Institucionais da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), Nelson Eiji Akimoto, fala da importância da participação das empresas em entidades associativas e do engajamento em ações da sociedade civil organizada.
Akimoto é natural de Novo Horizonte (SP), casado com Édina Jahn Akimoto, pai de Thales e Amanda Akimoto, e reside em Chapecó há 28 anos. É graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Estadual Paulista (Unesp) e pós-graduado em Desenvolvimento Gerencial pela Unochapecó. É diretor-presidente da NORD Electric S.A., diretor de operações da DUON Microelectronics, sócio das empresas Renovigi, Elo Ideias, Belab, i9K, docente da Fundação Logosófica e vice-presidente do Programa Viver Ações Sociais.

Frequentemente ouvem-se queixas da baixa participação dos empresários nas entidades associativas e instituições da sociedade civil organizada. Em sua opinião, essa situação é generalizada ou ocorre apenas em alguns setores da nossa economia?
Tem um provérbio africano que gosto muito: “Se quiser ir rápido, vá sozinho. Se quiser ir longe, vá em grupo.” Tenho bons exemplos a seguir. Sou grato a muitas pessoas que de forma muito empreendedora e generosa tem feito a diferença em nossa sociedade. Claro que se o grupo fosse maior, poderíamos ir mais longe e seríamos mais fortes. Tenho usado uma estratégia de convidar ou indicar lideranças jovens para ocupar posições de destaque em entidades que participo, pois recordando da minha trajetória, foi assim que iniciei.

Por que é importante a participação dos empresários nas entidades representativas?
Penso que é uma forma de mostrar força, união e propósitos para poder ir mais longe e juntos buscar conquistas e inspirar outros líderes a seguir este caminho. O empresário quando está no associativismo fica mais “corajoso” e mais “valente”, pois se apoia na força e estímulo de todos. Quando se isola, fica frágil, e vêm os problemas, que muitas vezes sozinho fica muito difícil de solucionar.

Apesar dessa baixa participação institucional, nos últimos anos os empresários vêm assumindo diretamente novos encargos de natureza social junto aos seus colaboradores e, também, junto à sociedade local/regional envolvente. Como o senhor vê esse processo?
Esse processo é irreversível. Não podemos depender apenas de programas de governo para propiciar uma melhor qualidade de vida para nossos colaboradores e para a nossa comunidade. Temos a missão de reter talentos e também atrair novos talentos, assim como preparar a nossa comunidade para ser melhor, pois vivemos dentro dela e com ela. Muitas empresas buscam inclusive propiciar benefícios além dos obrigatórios como uma estratégia de “cuidar” de sua equipe. Sou contra a criação de novos impostos e obrigações para as empresas para cobrir estas necessidades, mas penso que poderiam criar estímulos para proporcionar mais benefícios aos funcionários. Fazer a nossa parte, em vários aspectos, é posicionar-se alinhado com a sustentabilidade empresarial.

Podemos afirmar que as empresas, na busca da produção e do lucro, trabalham diretamente para promover o desenvolvimento sustentado das comunidades local-regionais nas quais estão inseridas?
Ela colabora sim com o desenvolvimento sustentável, mas em parte. É preciso também ter um olhar muito especial e atento para como ela produz e lucra com o seu negócio. Temos que estar posicionados de tal forma que se conquiste o lucro, mas sem prejudicar os outros pilares da sustentabilidade como o meio ambiente e o equilíbrio social.

Em sua opinião, quando as empresas privadas, sob o rótulo de “promover o bem-estar dos seus públicos interno e externo”, criam e programam campanhas destinadas a atender a comunidade regional envolvente, estão fazendo marketing, filantropia, ação social ou cidadania solidária?
Quando a empresa pratica a cidadania corporativa de forma consciente, em primeiro lugar ela está praticando o bem. Um dos primeiros beneficiados é ela mesma, pois não há alegria maior e satisfação interna que fazer o bem. Todos na empresa “vibram” e, quem está feliz, produz mais e melhor. Estas ações do bem refletem como um marketing muito poderoso, ao mesmo tempo em que é uma ação social, exemplo muitas vezes de cidadania e, em alguns casos, até filantropia. Hoje se conceitua como ações de valores compartilhados, onde todos os envolvidos ganham. Sou totalmente contra o greenwash e outras práticas que são só de aparência.

Interessante notar que, quanto mais inoperante revelam-se o Estado, os partidos políticos, os sindicatos e outras entidades de intermediação social, mais as empresas são solicitadas a atuar na área social. Como o senhor vê esse quadro?
A empresa não pode ocupar o lugar do Estado, dos partidos políticos, dos sindicados e das entidades. Penso que ela deve buscar os seus objetivos como empresa, e quando atua na área social ela está atendendo algum dos seus públicos de interesse, ou seja, algum stakeholder. Muitas vezes a colaboração de uma empresa para uma ação social não é apenas recursos financeiros. Existem muitas formas de colaborar, seja com o trabalho voluntário de seus funcionários, ajudando nas estratégias trazendo ideias e conhecimento da iniciativa privada, criando oportunidades ou apenas fazendo conexões. O mais importante é se apresentar para colaborar, pois sempre terá algo para ser feito em uma sociedade como a nossa.

Qual deve ser o papel da ACIC no estímulo ao crescente envolvimento do empresariado nas ações de cidadania corporativa? Como deveria ser implementada uma política de incentivo nessa direção?
A ACIC deve estimular essa prática como um dos pilares da sustentabilidade, que garantirá o sucesso das empresas em longo prazo. Neste sentido, estou muito feliz com a criação do Núcleo de Sustentabilidade pela ACIC, que inicia com 25 empresas. Tenho certeza que será um grande aprendizado para todos. Penso também que todos os esforços da entidade estão em propiciar o sucesso de seus associados, através da representatividade, capacitação e serviços, e por isso, como Diretor de Relações Institucionais da ACIC, estou muito feliz em participar da construção de um planejamento estratégico com uma diretoria de grandes empresários voluntários e uma equipe administrativa muito comprometida, pensando em um futuro melhor.

Direcionando o foco para o setor público: a atual diretoria da ACIC vem priorizando ações institucionais junto aos poderes constituídos, como prefeitura, Câmara de Vereadores, Assembleia Legislativa e governo estadual. Qual é o objetivo dessa conduta interinstitucional?
Como entidade representativa e respeitada em todos estes fóruns, a ACIC se posiciona sempre com muita responsabilidade, pela credibilidade que tem em defesa dos interesses de seus associados, seja propondo, reivindicando, criticando, exigindo, colaborando ou elogiando. A comunidade chapecoense já está acostumada a ver a ACIC como uma entidade que defende também a comunidade e o desenvolvimento de nossa região. Sua história de 69 anos está marcada por degraus de desenvolvimento que projetou Chapecó para o estado, para o Brasil e para o mundo, e ela é contada olhando o quadro de fotos dos ex-presidentes fixadas na parede da entidade. Grandes exemplos de dedicação à ACIC e a Chapecó que muito nos inspira.

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