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Postado em 26 de Novembro de 2014 às 16h26

Chapecó: mercado de trabalho seletivo e competitivo

O dinamismo econômico de Chapecó gerou um crescente e competitivo mercado de trabalho, cujas características e singularidades são analisadas pelo diretor financeiro adjunto da ACIC Marcelo Marafon Porciúncula.
Natural de Chapecó, 46 anos de idade, Porciúncula é casado com Sandra Regina Beltrame, pai de Ana Luisa e Guilherme. Tem graduação em Administração e MBA em Desenvolvimento Gerencial e é supervisor regional do Centro de Integração Empresa Escola – CIEE.

Como o Sr. avalia o atual estágio de desenvolvimento do município de Chapecó?
Chapecó cresceu muito nestes últimos anos, deu saltos quantitativos em termos de população e levou ao crescimento vários setores da nossa economia, entre eles, a habitação, o consumo de bens, de serviços e produtos. É notório o crescimento na construção civil e nos serviços em torno deste setor. Chapecó é referência também na educação através das instituições de ensino de nível superior e profissionalizante. Nossas empresas são referência para o País. Temos uma população, na sua grande maioria, jovem e trabalhadora com índices positivos de emprego. Somos a sexta economia no Estado e já estivemos em melhores posições anos anteriores. Neste sentido, penso que é de extrema importância continuar o crescimento, pensar no futuro e criar de forma ordenada politicas de planejamento, de investimento e ações concretas entre o governo e a sociedade civil, para que atendam a estrutura que a nossa cidade precisa para seu funcionamento, tanto da população quanto das empresas.

Quais são, na sua opinião, as grandes potencialidades deste município-polo do grande oeste catarinense?
As grandes potencialidades do nosso município estão hoje localizadas grandes setores. Na agropecuária com leite, carnes e aves; na indústria de alimentos, metalmecânica, plásticos e moveleiro. O setor de serviços avança com ensino, tecnologia e transportes. Despontamos para o turismo de negócios, com as feiras segmentadas, aproveitando os recursos e estruturas juntamente com aeroporto da cidade. As feiras modificam a nossa cultura e criam uma alternativa para as nossas potencialidades especificas.

Quais são as principais deficiências de Chapecó, os obstáculos ao desenvolvimento?
A inadequada infraestrutura logística e de transporte é nossa maior deficiência. Também temos problemas no setor energético, de telecomunicações, água e na segurança publica. Tivemos, após uma longa busca pela ferrovia, a contratação do estudo de viabilidade. Há dificuldade na instalação de novas empresas ou mesmo na ampliação das existentes. Sofremos com a evasão de mão de obra qualificada e treinada. Tudo isso cria obstáculo ao crescimento e desenvolvimento do município. A política econômica nacional não apoia o nosso modelo da economia cujo foco é a produção agropecuária e a indústria de alimentos. Os altos encargos trabalhistas e fiscais oneram o processo produtivo.

Na condição de coordenador do CIEE, como se encontra o mercado de trabalho em Chapecó? O município ainda vive a falta aguda de mão de obra ou o quadro está entrando em clima de normalidade?
O mercado de trabalho em Chapecó tornou-se muito competitivo e seletivo, tanto da oferta quanto da procura. Exemplo crônico da falta de trabalhadores são os frigoríficos e indústrias de alimentos. As empresas deste setor estão utilizando de estratégias e ações para manter e captar novos funcionários em sua linha de produção. Muitas estão em pleno movimento de automatizar sua linha de produção e outras em manter o número de produção, pois ainda não encontram alternativas.

As agências de recrutamento de recursos humanos registravam no primeiro semestre mais de 4.000 vagas em aberto no mercado de trabalho local. No entanto, nesse ano, foram concedidos cerca de 10 mil benefícios pelo programa do seguro-desemprego. Como se explica essa incoerência?
Sem sombra de dúvidas é uma incoerência que tem sido registrada aqui. Mas também acredito que este movimento espalha-se nas principais cidades de Santa Catarina. É um fator preocupante. As empresas oferecem vagas de trabalho, buscando trabalhadores para atender a sua necessidade, neste sentido pesquisam junto ao mercado e não encontram o perfil para a vaga. Esta situação também obriga, em algumas vezes, a empresa a buscar trabalhadores em outras empresas, gerando conflitos locais. É um equívoco que causa impactos ao trabalhador e à empresa. Não sou contra esse benefício social, mas é preciso mais coerencia. Da mesma forma, a lei trabalhista necessita de uma profunda revisão.

Chapecó foi a cidade que mais gerou empregos em 2014. A que se deve esse resultado?
Os dados são do Observatório Socioeconômico da Mesorregião Oeste de SC da Unochapecó. Chapecó foi a cidade do oeste que mais gerou empregos: criou 971 postos de trabalho entre fevereiro de 2013 e fevereiro de 2014, isso corresponde a 66,55% de aumento, sendo que 31,26 % foram contratados no setor de serviços e 27,54 % na indústria. Este resultado reflete o bom desempenho do setor de serviços.

Levando-se em conta o fato de que funcionam no município de Chapecó muitas estruturas de formação profissional – Senai, Senac, Senat, Senar, Sebrae, Secretarias municipal e estadual de educação, escolas profissionalizantes e universidade – é possível considerar satisfatório o nível de qualificação da mão de obra empregada?
Sim. É possível, mas precisamos reavaliar e avançar mais ainda nesta questão. A estratégia de ensino na formação e qualificação da mão de obra necessita de avanços contínuos para acompanhar a tecnologia e o mercado.

Qual tem sido a ação do CIEE para aproximar os estudantes do mercado de trabalho?
O centro de Integração Empresa Escola de SC, há mais de 25 anos instalado em Chapecó, procurou ao longo deste tempo, aprimorar a inclusão de estudantes no mercado de trabalho com ações práticas voltadas à necessidade das empresas. São ações pontuais e com características de cada região, de forma a personalizar a necessidade dos estudantes e de cada empresa que busca um estagiário. O estágio é instrumento de formação e complementação prática da teoria recebida em sala de aula. Ao mesmo tempo, oferecemos aos estudantes oportunidades de agregarem informações e práticas importantes para que possam iniciar sua vida profissional.

O empresariado chapecoense tem sido criativo, proativo e arrojado na busca de recursos humanos para suas empresas? Como? Por quê?
Sim. Na grande maioria, as empresas têm se utilizado destas prerrogativas para buscar novos colaboradores, através de um processo seletivo realizado de forma profissional e adequado às necessidades da vaga e da empresa. Mas muitas vezes não se consegue este profissional pronto. Neste sentido, é importante utilizar se da criatividade e arrojo para formar e ter uma reserva estratégica de pessoal na própria empresa.

As projeções para a economia brasileira em 2015 não são boas e há, inclusive, previsão de recessão. Nesse caso, a escassez de mão de obra se manterá, será reduzida ou deixará de existir?
A insatisfação do setor privado é generalizada, expressa na queda dos níveis de investimento e de confiança do mercado financeiro. Com crescimento zero e inflação acima do teto da meta, qualquer prévia do que pode ser o PIB ganha importância. Acredito que não haverá incremento da mão de obra local, estadual ou mesmo nacional. Estamos entrando em final de ano e nesta época teremos a sazonalidade de contratação da mão de obra temporária, quer na indústria, comércio e serviços. Será o termômetro para uma avaliação mais concreta. 

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