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Postado em 25 de Setembro de 2013 às 17h29

10º Ercoex reúne grandes nomes da classe empresarial da região

O 10º Encontro Regional de Comércio Exterior (ERCOEX), transcorrido nesta semana em Chapecó, oportunizou a socialização de histórias de sucesso de duas grandes marcas fundadas e estabilizadas no oeste de Santa Catarina. O empresário Roberto Zagonel começou a conversa com a palestra “Um banho de qualidade: empreendendo e inovando internacionalmente”. Uma história simples que se confunde com a de muitos brasileiros. De uma maneira muito descontraída, Zagonel contou que desistiu da atividade agrícola aos 20 anos depois de quebrar a perna da vaca enquanto a ordenhava. Então foi para a cidade para fazer um curso técnico em eletricidade. Na pensão onde morava, foi desafiado a dar um jeito no chuveiro que aquecia demais por causa da pouca pressão da água. Aí surgiu o chuveiro eletrônico, com controle de temperatura, que conhecemos hoje.

Como todo bom começo de história, foram muitos os desafios até chegar na exportação. A primeira encomenda saiu para Gana na África, via Correios. Foram 1800 chuveiros. E isso, há dois anos. “Era um sonho nosso. Preparamo-nos por muito tempo para nos estruturarmos e atendermos, com eficiência, o anseio do consumidor”, destacou Zagonel. Desde então foram 1600 duchas para Paraguai, México, Equador, Gana e Nigéria. Um novo mercado internacional deve aparecer para os produtos da linha Z.Light que consiste em uma carta de luminárias, lanternas e luzes para efeito decorativo que funcionam com a tecnologia do led. Tecnologia cujo componentes são importados e o produto é montado na fábrica em Pinhalzinho. “Com isso, conseguimos produzir tecnologia mais barata que a chinesa e ainda garantir qualidade”, observou o palestrante.

Diante das dificuldades enfrentadas, Zagonel falou sobre toda tecnologia a qual os jovens de hoje têm acesso. “Para ter uma linha telefônica eu pagava um salário mínimo de aluguel. Hoje, os jovens têm tudo na mão e ainda reclamam e o pior, não aproveitam isso tudo”, lamentou. Ao mesmo tempo, a disparada tecnológica atual dificulta o acompanhamento dos empresários. Apesar das dificuldades, é preciso, pelo menos, tentar acompanhar. “Ou você faz poeira ou você come poeira”, destacou. De toda a história vivida pelo empresário o maior aprendizado foi o de que não adianta querer ser o melhor arqueiro, ter o melhor arco e flecha se você não tiver o alvo. É muito importante saber aonde se quer chegar, qual é o foco do trabalho para poder percorrer o caminho até lá.

Outra apresentação que empolgou os participantes foi a trajetória do Grupo Dass. O palestrante foi o CEO da empresa, Vilson Hermes. O grupo é considerado jovem. O primeiro formato, o Grupo Clássico, foi fundado em 1980 em Saudades, onde até hoje se mantém a matriz. A empresa é especialista na produção de roupas e calçados esportivos. Em 2005, houve a fusão com Grupo Dilly, de Ivoti/RS, que tem foco na fabricação de calçados e bolsas femininas de alto padrão. Em 2007, a união ganhou uma nova identidade: Grupo Dass que hoje tem doze fábricas no Brasil, uma no Paraguai, outra na Argentina e a produção de solas na China.

Ao invés de buscar a exportação dos produtos, a administração do grupo resolveu fazer a internacionalização da empresa e por isso das fábricas fora do Brasil. A produção anual chega a três milhões de peças e a 13,5 milhões de pares. Para manter toda essa estrutura são necessários mais de dez mil funcionários mantidos em todas as unidades. “O que garante a boa venda do nosso produto, que hoje é exportado para 33 países, é o controle rígido de qualidade. Seguimos um nível de exigência internacional muito grande”, explicou.

O segredo do grupo foi trocar o foco, que antes era exclusivamente na produção, e voltar à atenção para a inovação. Apostando nessa idéia, o grupo conseguiu evoluir no ponto de vista empresarial. “Para nós, inovação e evolução têm a mesma importância. Se você não inovar será apenas mais um e a evolução garante a continuidade. Tínhamos uma visão muito generalista e o mercado exigiu uma mudança para uma visão especialista em esporte, apaixonados por marcas”, contou. Essa nova estratégia aliada a uma política de sustentabilidade, de valorização do colaborador e de surpreender o cliente trouxe os resultados almejados.

A partir de então, a inovação se tornou muito importante dentro da empresa. Hoje existe um departamento para cada uma das marcas desenvolvidas pelo Grupo Dass. É grande o programa de fomento da inovação dentro da empresa. Tanto que os colaboradores do setor estão trabalhando na coleção de 2015. Para Hermes, o grupo tem agilidade, tecnologia, inovação e conhecimento. “Isso é ser a melhor e a mais eficaz”, concluiu o palestrante.

Na solenidade de abertura do Ercoex, evento promovido pelo Núcleo de Comércio Exterior e Logística Internacional da Associação Comercial e Industrial de Chapecó (ACIC), o coordenador no Núcleo, Sérgio Matte, pediu aos empresários a união da classe para buscar junto ao governo estadual a redução do ICMS e uma maneira de baratear o frete para a região. Hoje um container custa US$2 mil dólares para chegar ao porto de São Francisco do Sul/SC, por exemplo, enquanto que os empresários do litoral não pagam mais do que US$500.

Matte explicou que o Ercoex tem como objetivo estabelecer relações internacionais, discutir as perspectivas para o comércio exterior, além de fortalecer a cultura exportadora nas micro, pequenas e médias empresas da região oeste.

O presidente da Acic, Maurício Zolet, também falou sobre a necessidade de ajuda do governo, mas desta vez sobre a administração municipal. Mais uma vez, a entidade registrou a insatisfação com o anúncio do prefeito de Chapecó, José Caramori, de aumentar os tributos municipais. “Somos parceiros para qualquer situação, mas não dá para admitir novos aumentos que atrapalham o crescimento e a competitividade das empresas”, disse Zolet.

OFICINAS

Durante todo o dia, os participantes tiveram acesso a diversas oficinas temáticas. Em uma delas foi discutido o tema “Incentivo ao comércio exterior e ao cenário catarinense”, ministrada pelo secretário especial de Articulação Internacional do Estado de SC, Felipe Mello. Ele explanou sobre as políticas públicas de incentivo à exportação mantidas pelo Governo do Estado. O secretário destacou que o governo está dedicado a ajudar com linhas de financiamento, estruturação das cadeias globais de valores, na relação entre comprador e cliente e no que mais for necessário para fomentar a exportação. “O empresário tem que buscar além das necessidades básicas para exportação. Ele precisa participar como sócio e efetivar os negócios”, orientou o secretário. Mello falou ainda do Programa de Internacionalização da Empresa Catarinense, mantido pelo governo estadual. O foco é manter a prestação de assessoramento dos empresários e abrir novos mercados.

As demais oficinas contemplaram o tema “O associativismo como instrumento para fortalecer as empresas no mercado internacional”, abordado pelo coordenador do Núcleo, Sérgio Matte; “Importar e exportar é mais fácil do que você imagina”, com o gerente de agência da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos, André Augusto Bail; “Linhas de crédito para área internacional”, com a gerente de Negócios Internacionais do Banco do Brasil S.A., Maria Luiza Lapolli; “Apoio financeiro a empresas exportadoras: foco em investimentos” ministrada pelo gerente adjunto de planejamento do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul – BRDE, Paulo Antoniollo; “Benefícios com habilitação no regimento aduaneiro (Linha azul)”, com o diretor da Compliance Customs Services, Omar Rachet; e o tema “Reforma portuária: para quem? – Em busca de redução de custos”, com o representante da Comissão provisória de criação Usuport – SC, Osvaldo Agripino de Castro Jr.

O evento conta com patrocínio do Banco do Brasil e apoio do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).

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